segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

CRÔNICA

Minha primeira carteira

O ano era 1994, já passam 14 anos, mas lembro como se tivesse acontecido a dez minutos atrás, eu, um “ratão de taipa” como se diz aqui na minha região com onze anos de idade, não me lembro bem o dia mas a imagem me vem a mente com uma clareza impressionante.

O fato ocorre em outubro daquele ano, como de costume acordei cedo, naquela época acordar cedo era sinônimo de ter mais tempo para brincar, desci na casa da minha avó, já que era domingo, não precisava me preocupar com a escola, encontrei toda a família reunida, forte tradição italiana de reunir a família para o churrasco dominical.

Acredito que estava perto do dia das crianças, não costumava receber presentes fora das “épocas de ganhar presente”, pois bem, brincava tranquilamente com os primos, meu falecido pai, que Deus o tenha, me chama com sua voz grossa e diz:

- Piá, vem aqui que tenho um presente pra você

Arregalei os olhos e parti em disparada pra ver qual seria esse presente fora de época. Era um pacote pequeno e quando tomei-o em minhas mãos não faria a menor idéia do que poderia encontrar ali dentro.

A força com que rasguei o pacote era a mesma força com que um leão abate sua caça, voraz por descobrir qual seria o conteúdo do misterioso presente. O pacote não estava bem fechado, sabia que foi mexido antes de me ser entregue.

O pacote voou sobre as cadeiras postas para o grande almoço da família, ela era linda (para a minha idade e o padrão da época) verde, vermelha e amarela, possuía uma camada lisa e brilhante que à conferia um brilho maravilhoso, quatro ninjas faziam pose de luta em meio aquelas cores chamativas.

Meus olhos brilhavam na mesma intensidade daquele objeto, abri-o e, para minha surpresa vi aquela nota vermelha dentro, sim, eram dez reais, uma fortuna para a época, tomei aquele objeto como se fosse o presente mais importante que já havia recebido. Abracei meu pai e agradeci, como qualquer criança, corri para me vangloriar aos outros, agora, eu possuía uma carteira e o melhor, com dinheiro dentro.

Lembro que demorei uns quinze dias para trocar a nota de dez reais, era meu tesouro e trocá-lo me parecia um sacrilégio, mas aquele chocolate me parecia indispensável, tão qual minha notinha vermelha.

A carteira ficou comigo por vários anos, até o momento que o cachorro que minha tia havia comprado deu cabo dos ninjas e com seus dentes poderosos transformou em trapos minha tão amada carteira.

Não era apenas um objeto para guardar dinheiro, aquela carteira significava mais, era minha “passagem” para uma vida responsável, documentos, dinheiro e papéis que achava importante, tudo ali, dentro dela, esperando o barulho do velcro para mostrar a seu dono que sua infância infelizmente estava acabando.

3 comentários:

A Cris disse...

wooooowww adorei a crônica xDDD
PARABÉNS!!!
e ve se agora atualiza com mais frequência ;)
bjusss!!! boa semana!!!
Cris...

Adri disse...

Dar uma atualizada é bom d vez em qndo sabe? rsrsrs
tadinha da tua carteira, sendo devorada por um animal...rsrsrs

Unknown disse...

Tadiinha da sua carteiraa =//
usahuhauhau ....
fiko mt legallll =)
BEijjooos'