sexta-feira, 27 de março de 2009

O Problema Somos Nós

O que você vai ler nos próximos parágrafos é um discurso inflamado, bem no estilo Che Guevara, Lula 1989 ou do estrassadinho dono da padaria (pelo menos aqui ele é estressado). Se você não gosta desse tipo de texto, não leia, se você acha que estou escrevendo isso por que estou indignado, acertou e se você acha que discurso é papo furado, pare por aqui.

Para vocês que resolveram continuar a leitura, vou explicar o motivo da minha indignação. Porque nós, publicitários ou aspirantes a tal, temos um ego assustadoramente inchado a ponto de achar que não precisamos de regras?

Regras, isso mesmo, aqueles livrinhos que vem com um monte de coisas que devem ser feitas, para que alguma coisa funcione corretamente. Alguns talvez pensem que regras é para advogados ou talvez, que sirvam para um juiz ter critério na hora de expulsar um jogador de campo.

O fato que me deixou indignado, e talvez muitos irão achar uma tremenda bobagem, foi o seguinte:

Trabalho na administração pública, (não por opção, já que gostaria de estar trabalhando em uma agência) na área da saúde, e tive o desprazer de ver como nossa profissão ou futura profissão é totalmente desvalorizada, não pelos outros, muito pelo contrário, pelos próprios publicitários, como coloquei trabalho com saúde, e vi nessa manhã, (não por culpa da moça, porque ela apenas recebe ordens) uma ENFERMEIRA montando um FOLDER no WORD para ser enviado pra gráfica.

Isso mesmo caros colegas, o folder que deveria estar sendo montado por um publicitário, um PROFISSIONAL na área de comunicação, estava sendo feito por alguém que estudou para cuidar de doentes.

E por que citei a necessidade das regras? Simples, eu como futuro publicitário, não posso aplicar uma injeção porque não tenho um número de COREN (Conselho Regional de Enfermagem), não posso assinar uma planta baixa porque não tenho um CRECI (Conselho Regional de Engenharia Civil), agora o “moleque que sabe mexer no Corel” pode mandar um trabalho publicitário pra qualquer lugar, somente pelo fato de não termos REGRAS.

Não temos um método ou uma lei, que proteja a profissão, que faça com que o publicitário possa botar no seu carimbo a marca PUBLICITÁRIO e saber que está lá porque estudou para isso.

Me espanta o comodismo com o qual tratamos nossa profissão, e me incluo nisso também, mas pelo menos me proponho a pensar sobre, o que talvez possa ser um começo. Cansei de ver publicitários reclamando que precisam abaixar o preço porque o “moleque que sabe mexer no Corel” faz uma logomarca de empresa por 50 reais. E, se você pensar, vai ver que funciona bem assim.

Não proponho uma revolução tipo as FARC, mas que os profissionais desta área, a qual escolhi para ser a minha PROFISSÃO possam se valorizar, e realmente lutar para que possamos competir com publicitários e não com qualquer um que saiba usar as ferramentas do Photoshop.

E digo mais, você não estuda psicodinâmica das cores, simplesmente pra saber que as cores têm funções, você não fica horas dentro de um estúdio fotográfica pra fazer fotos bonitinhas, fotos bonitinhas minha irmã de 14 anos também faz, não me quebrei em 3 cadeiras de português e 3 de redação para vir o cliente e dizer “coloca esse texto que eu escrevi”

Escrevo isso não apenas por revolta, mas sempre acreditei que a regulamentação da PROFISSÃO publicitário é de extrema importância, e digo o porque, não quero ter que competir com o moleque do Corel, já que irei torrar mais de 40 mil Reais na minha faculdade gostaria, realmente, de competir com gente do mesmo nível de conhecimento, já que para o cliente 50 pela logo é muito melhor que 500 por um conceito.

Publicitários ou aspirantes, tenham em mente que seu diploma não garante sua PROFISSÃO, e espero, de coração não encontrar nenhum publicitário recortando fotos pra tablóides por 600 reais ao mês.

Pensem nisso.